PALACETE DO ARQUIVO MUNICIPAL FICOU MAIS POBRE


Última palmeira centenária foi cortada

Na manhã desta quinta-feira, 9 de Novembro, uma equipa de funcionários da empresa “Horto Casimiro”, por ordem da Câmara Municipal, procedeu ao corte da última palmeira nas traseiras do belo edifício “rosa”, mandado construir pelo “brasileiro” de torna viagem, João Alves de Freitas, que ficou concluído em 1912.
Em menos de um ano, o imóvel histórico onde, em 2013, foi inaugurado o Arquivo Municipal de Fafe, perdeu as suas duas palmeiras centenárias, supostamente plantadas em meados da segunda década do século XX, que, até há pouco tempo, valorizavam a singular beleza das traseiras do palacete.
Lembre-se que no passado dia 23 de Janeiro foi mandada cortar a primeira palmeira, por alegada praga de escaravelho vermelho, um dos principais males das palmeiras.
Desta feita, técnicos da Câmara Municipal, teriam diagnosticado uma praga semelhante e condenado a ultima palmeira do local ao abate, salvaguardando a segurança pública.
Nada é eterno, e estas plantas exóticas, oriundas das Canárias, chegaram ao seu fim de vida, alegadamente, sem cuidados e tratamentos que lhe dessem maior longevidade.
Agora, para compensar a perda, seria bem vista a plantação de outras duas palmeiras, no mesmo local e da mesma espécie… não custa nada!

Traseiras do Palacete do Arquivo em 2014 


Traseiras do Palacete do Arquivo em Janeiro 2017


Traseiras do Palacete do Arquivo, actual 




CASA E CAPELA DO PORTO




Em Santo Ovídio, próximo da Rua Cidade de Guimarães, existe o lugar de Paço, um sítio muito antigo, repleto de história, outrora residência fidalga. No lugar, existem ainda, as ruínas da antiga Casa do Porto. Uma data inscrita numa das paredes, 1710, remete-nos para os inícios do século XVIII.
Anexa à Casa do Porto, encontramos a capela particular do Senhor do Porto; um pequeno templo, também. Há muito arruinado que, segundo informação do caseiro local tem a data de “1713” gravada na base da cruz que encimava a fachada.









Entrámos no interior da exígua capela, construída em granito, aparentemente extraído nas proximidades e observámos o seu modesto altar em arco de volta perfeita que, em tempos, acolheu a imagem do Senhor do Porto. No piso, junto à entrada principal, vemos uma antiga sepultura “profanada”, lembrando-nos a possibilidade de outrora ali ter sido sepultado um antigo senhor da Casa do Porto…




A orientação do templo, com a sua frente voltada para a extinta linha de comboio, sugere-nos a existência de um antigo caminho que, supostamente, ligava o Paço a terras de Cepães e, para norte à Vila de Santa Eulália antiga (Fafe).






A casa e capela do Porto é hoje um sítio abandonado, esquecido, um rico património setecentista que virou costas ao progresso, envergonhado da sua triste condição…




Fotos: Fevereiro de 2014

CINEMA SONORO ABRIU COM “A LOUCURA DE MONTE CARLO” DE 1931




A inauguração do cinema sonoro em Fafe aconteceu na quinta-feira, 17 de Novembro de 1932.
A este respeito o jornal “O Desforço” de 24 de Novembro de 1932 refere o seguinte:
«A inauguração do Cinema Sonoro em Fafe, feita na quinta-feira no importante Teatro-Cinema, foi motivo de grande e geral regozijo, por esse facto demonstrar que esta linda terra continua a marcar, vestindo, de mãos dadas com as cidades, os figurinos da época.
Excedeu a expectativa.

E, a despeito da chuva torrencial que caiu, a bela casa de espectáculos, primorosamente modernisada – a quem diz modernisada, diz actualizada a todos os requisitos, perfeita na excepção da palavra, pois nada lhe falta em condições de segurança, de higiene, de asseio, de conforto proporcionado ao publico, conforto e luxo, onde deviam ter sido gastos para cima de 300 contos – encheu por completo.
Vieram bastantes famílias dos concelhos visinhos, muita gente das freguesias ruraes e uma imensidade de pessoas da vila – casa completamente cheia – todos ávidos de ver e ouvir, pois para a maior parte o Cinema Sonoro ainda era desconhecido.

O Cinema Mudo, que teve a sua época, é hoje incompleto para a nossa maneira de ser; etapa na carreira da fotografia em movimento, que mais tarde teria de animar-se com o eforço de Auguste Baron – Pae do sonoro que hoje vive na miséria em Newilly – já estava a fatigar e a a adormecer.
O Sonóro, aproximando-se mais da verdade da nossa vida e das nossas senssações, que empolga e sugestiona as plateias com o som dos seus auto-falantes, veio relegar o mudo para o museu das coisas históricas, e ganhou mesmo vantagens ao teatro, em emoção, em arte e suptuosidade, oferecendo-nos quasi ao vivo, musica, canções e bailados.
E foi isso que a reabertura do Teatro, há muito anciada, foi motivo, no dia 17, de grande e geral regosijo, agradando sobremodo a elegância do écran, ao qual a plateia unânime e entusiasticamente seu uma salva de palmas, que o mesmo foi felicitar, aclamar a Empresa pelo primor, pela excelência, pela perfeição.
Decorreu depois a sessão, uma sessão alegre, animada, em que sobressaiu a encantadora opereta «A Loucura de Monte Carlo». O programa foi bem escolhido e a sessão agradou plenamente.
Mas, como nesta, todas as quintas feiras e domingos o publico terá ensejo de ver surpreendentes “soirées” faladas, musicadas, autênticos sucessos em graça, hilariante, aventuras, amor, etc.

Em suma: o Teatro-Cinema. A jóia dos teatros portugueses – proporciona, com a melhor e mais perfeita aparelhagem sonora, duas vezes por semana, ao publico da nossa terra e dos concelhos vizinhos, com preços acessíveis, os mais agradáveis passatempos, tirando-nos da monotonia profunda em que vivíamos, pois nem só de pão vive o homem….
Por isso não nos cansamos de louvar quem, não se poupando a demasiadas despezas e grandes trabalhos, nos sabe nivelar com os meios mais adiantados onde se gosa o bom o belo e o gradavel. A casa de domingo encheu-se também e o “Cruzeiro de Amor”, como as restantes partes da sessão, muito agradaram.»




O NEVÃO DE 1963



Perto das 15h00 do dia 1 de Fevereiro de 1963, a Vila de Fafe assistiu ao inicio de um nevão que viria a intensificar-se no dia seguinte… “Nevou durante cerca de quatro horas, atingindo os 20 centímetros de altura”. “Há muitos anos que não caía assim um nevão”, escreveu o redactor do jornal “O Desforço” de 7 de Fevereiro de 1963.









Fotos reproduzidas do “Almanaque Ilustrado de Fafe” 1964

A INDUSTRIA EM FAFE NOS ANOS 30




«Fafe, a terra linda que o pitoresco Minho possue, a mais alegre e a mais elegante, com tantos e tão admiráveis dotes naruraes, fértil, comercial e industrial, muito deve à iniciativa particular.
O majestoso edifício do Hospital, o esbelto Teatro, o agradável Jardim do Calvário. O quartel dos Voluntários, etc., são obras do bairrismo de dedicados filhos de Fafe.
Obra da inteligência, da acção e do empreendimento particular, são também muitas das industrias que Fafe possue e que vão aumentando dia a dia.
Pioneiros da grande, da principal industria de Fafe, foram José Florêncio Soares e o concelheiro Joaquim Ferreira de melo. Aquele fundou a Fábrica do Bugio, em S. M. de Sulvares e este alicerçou a Fábrica do Ferro, no logar do mesmo nome, subúrbios de Fafe.
A primeira, logo que concluída e montada ficou, entrou em perfeita laboração: a segunda, a despeito de na sua construção se terem gasto bastantes dezenas de contos, o que dizem transtornou as faculdades mentaes do seu iniciador Ferreira de Melo, não pôde ir além da moagem.
Ambas se erguem como monumentos á margem do rio Bugio e e do rio Ferro, perpetuando a memória dos seus fundadores e ampliadores.
São dois padrões faustosos do nosso valor industrial.
São o orgulho bem legitimo desta laboriosa terra de povo tão honrado e tão português como bom.



A Fabrica do Bugio tem passado por grandes transformações que a inteligente iniciativa do seu sócio administrador snr. Dr. José Summavielle Soares lhe tem sabido introduzir.
Hoje produz o que de melhor e de mais moderno existe. O fabrico dos famosos tecidos de algodão, que são as flanelas de lindos padrões, prtence-lhe; além destas, tem os especiais morins, panos crus, etc.
Ultimamente assentou modernos maquinismos com os quais fabrica números finos com algodão do Egito.
Este ilustre filho de Fafe honra bem as tradições do seu avô.




Fabrica do Ferro, hoje transformada em Companhia chamada de Fiação e Tecidos de Fafe, por iniciativa do ilustre e saudoso filho desta terra José Ribeiro Vieira de Castro, há 44 anos que saiu do letargo em que permanecia.
Foi ele, dotado de invulgar actividade e perspicácia para os altos negócios, que organizou essa Companhia. Teve a seu lado, a colaborar na grande obra, com inteligência e vontade, Manuel de Lemos, que, a despeito de não ser um profissional, teve a clara visão do futuro desenvolvimento da industria de fiação e tecidos.
E, aumentada a fabrica, a produção e o crédito, ela aí está próspera, tendo a felicidade de encontrar nos seus actuais directores snrs. Manuel Cardoso Martins e Albano Ribeiro Vieira de Castro uns dignos continuadores da bela obra de José Ribeiro e Manuel de Lemos.
Impulsionando, porque, em industria, parar é morrer, eles, com o auxilio do sábio engenheiro snr. Henrique Carvalho d’Assunção, aproveitando a água do rio Ferro como força motriz, procederam ás instalações modernas de dois grupos hidro-electricos e á concumitente electrificação das várias secções fabris.
Produz as melhores sarjas, panos brancos, estamparia, tecidos de sêda, etc., tendo para isso montados os mais progressivos maquinismos. A oficina de branquiação diz que é a mais moderna e importante que se montou em Portugal.
Possue uma cantina, uma maternidade, assistência médica, um belo e arejado bairro operário na Cruz de Antime, que em breve ficará concluído com casas higiénicas estilo – antiga portuguesa.
O distincto director snr Manuel Cardoso Martins reside em Gaia, mas a sua reconhecida actividade não o deixa descançar: faz constantes visitas á fabrica idealisando inovações, estudando projectos.
Estas duas antigas e importantes fábricas empregam perto de 2.000 pessoas. Sem elas, a miséria em Fafe seria maior.
Abençoados pioneiros. Abençoados sucessores.
Temos ainda a nova Fabrica da Azenha, de tecelagem de algodão e atoalhados, de Leite de Castro & C.ª; a de tecelagem na Pica, de José Maria da Cunha Nunes; a da Empresa Industrial de Fafe, de José Garcia d´Almeida Guimarães, que fabrica lindas e modernas mobílias; e a das meias em Silvares, de Arlindo Marinho. Ainda há muitas mais industrias pequeninas que, se tiverem quem as proteja, poderão vir a desenvolver-se espantosamente.
E quem nos diz que aquelas novas fabricas, daqui a vinte ou a cinquenta anos ainda poderão chegar a ser grandes como as primeiras?
Oxalá. »


IN: “Almanaque Ilustrado de Fafe”, 1930

FAFE NO SÉCULO XVIII






Torres sineiras da Igreja Matriz


Até à data não foram realizados estudos aprofundados visando um conhecimento menos dúbio da génese da Vila de Fafe.
É muito provável que no local onde está a Igreja Matriz de Fafe, tenha existido um templo de construção bastante mais recuada e à volta dele um pequeno aglomerado que, gradualmente foi atraindo população que também se distribuiria no território, em casais.
Mas deixemos a Idade Média e o profundo desconhecimento que temos, por cá, deste período e centremo-nos no século XVIII.
António Carvalho da Costa, na sua obra “Corografia Portuguesa”, datada de 1706, refere-se a Fafe como Vila cabeça do Concelho de Montelongo e descreve-a como tendo uma só rua (estrada Guimarães para Cavêz, actual Praça 25 de Abril, na época chamada rua de Cima), onde existia a “Casa da Câmara e a Cadeia”, um edifício de dois andares, o superior ocupado pela Câmara e o inferior para cadeia, com espaços separados para homens e mulheres. Fafe tinha “dois juízes ordinários, três escrivães do publico, câmara de vereadores, procurador do povo e escrivão da câmara e também juiz e escrivão dos órfãos, meirinho e ofeciaes da vara como porteiro e cadrilheiros, os quoaes cargos e ofícios dá e apresenta o Excelentíssimo Marquês de Valenssa”(1) No início do séc. XVIII, já aqui se realizava feira franca, no primeiro dia de cada mês, mais tarde, em 1758, é conhecida a realização de uma feira anual, chamada “Feira do Linho” (por ser este o artigo mais comercializado), a 21 e 22 de Agosto.
Em meados do séc. XVIII já se realizava a procissão de Nossa Senhora de Antime, transportada por oito jovens solteiros que carregavam a charola e imagem em pedra, com cerca de 16 arrobas. “ E no mesmo dia se recolhe a procissão com mesmo aparato e festejo. E no lugar do Lombo junto à Ponte Nova acendem dois castellos de fogo que ficam hum no destrito desta freigezia e o outro no da de Antime que sendo pouco vistoso por ser de dia não deicha de ter grasa pello estrondo (1)
Outra fonte para o conhecimento da freguesia de Fafe setecentista é as “Memórias Paroquiais de 1758”. O inquérito então realizado refere que Santa Eulália de Fafe tinha 342 vizinhos e pouco mais de 1000 habitantes.
Fafe era, nesta época uma vila rural; em redor dos Casais existiam férteis campos que produziam, com maior abundância, milho, centeio, algum trigo e feijão. O vinho era abundante, embora, na época “inferior ao de outras freguesias por agro e menos forte”(1)
Gado bovino e rebanhos de caprinos e ovinos povoariam também os campos em redor do pequeno burgo.
Os afluentes e o próprio Rio Vizela eram na época ricos em peixe; por aqui pescava-se truta, escalo, barbo, boga e até alguma enguia.
A configuração da Fafe no século XVIII, não sendo conhecida a rigor, parece ter-se desenvolvido junto da antiga estrada Guimarães para Cavez, um eixo viário de origem medieval que passava o Vizela na ponte de Sangidos subindo pela Fafoa, rua de Baixo e actual Praça 25 de Abril onde se localizava o centro do burgo com algum casario, Câmara/Tribunal e Cadeia, no local onde foi construído o Jardim do Calvário existia uma capela de cronologia desconhecida, consagrada a Nossa Senhora dos Remédios. Outras capelas são referidas nas “Memórias Paroquiais”: As Capelas de S. José, Santo António e Santo Ovídio no Lugar de Crasto e S. Bento em Calvelos.
Algo mais haveria a dizer da Fafe setecentista e muito mais haverá para investigar… mas essa é tarefa para os estudiosos e historiadores do “burgo”. Fico-me por aqui, neste breve apontamento que, espero, tenha algum interesse junto dos nossos leitores.
Os sinais de cada tempo são gradualmente anulados e Fafe pouco conserva da sua vivência Barroca. Contudo, ainda consigo respirar algum ambiente da Vila setecentista, na Ranha, em Sá, na rua do Assento, no Santo Velho, na actual Travessa Luís de Camões e talvez noutros locais onde surgem ainda ténues vestígios materiais do século XVIII.
Propositadamente não fiz grande referência à nossa Igreja Matriz, de traça Barroca, por considerar que este templo, só por si, merece um apontamento monográfico.


Fonte: Fafe nas Memórias Paroquiais de 1758, Estudo e Coordenação de José Viriato Capela. Edição: Câmara Municipal de Fafe, 2001.
Apontamento publicado também no Jornal "Correio e Fafe" de 12/3/2010

INAUGURAÇÃO DO PADRÃO DOS CENTENÁRIOS


Cliché de José Mesquita - Porto


Foi há cerca de 72 anos, numa segunda-feira, dia 15 de Julho de 1940 que autoridades da época procederam à inauguração do “Padrão Comemorativo dos Centenários”, (1140 e 1640) erigido no jardim fronteiro à antiga Estação de Caminho-de-ferro.
«É obra da Câmara Municipal e da Comissão das Festas da Vila e Centenárias nesse ano Áureo. A gravura representa o Cruzeiro da Independência e o ilustre Pároco da vila de Fafe Ver.º Snr. Manuel Domingues Basto, solenemente paramentado, deitando-lhe a bênção, após a qual fez um eloquente discurso recamado de flores, de vibrações pátrias. Além de milhares de pessoas, assistem os Snrs. Sub-Secretário do Ministro das Obras Públicas Engenheiro Espregueira Mendes, Governador Civíl Dr. José Joaquim d’Oliveira, Presidentes da Câmara Dr. António Freitas e da Comissão Concelhia da União Nacional Dr. José Barros e outras pessoas de representação.»


Fonte: Almanaque Ilustrado de Fafe, 1941





O Padrão dos Centenários no Parque 1º de Dezembro (2013)







A LINHA FÉRREA GUIMARÃES - FAFE NO JORNAL "O SÉCULO" DE 1907




















APONTAMENTO DO 50º ANIVERSÁRIO DA INAUGURAÇÃO DA IGREJA NOVA






A Igreja Nova de S. José, já aqui o disse, demorou sessenta e seis anos a ser construída. Muitos avanços e recuos condicionaram a tão almejada obra que teve origem numa doação de oito contos de réis que o “brasileiro” Fortunato José de Oliveira fez em 1895 para arranque da construção de um novo templo, mais amplo e “majestoso” que a “velha” Igreja Matriz, já na época, considerada exígua para a quantidade de fiéis que frequentavam as cerimónias religiosas.

Mas Fafe teria ainda muito que esperar para ver levantada a tão almejada igreja que inicialmente, em projecto, teria a denominação de Santa Eulália.

Apesar dos vários apelos, registados sobretudo na imprensa local, só em 1936 as obras sofreram um grande impulso. O conhecido arquitecto suíço Ernesto Korrodi remodelou o projecto anterior e as obras foram retomadas. Entretanto aconteceu a 2ª Guerra Mundial e verificou-se novo recuo que só viria a ser ultrapassado em 1946. As comissões sucederam-se ao longo de quinze anos, trabalhando na angariação de fundos para a conclusão de uma obra que já era motivo de muito desânimo para os fafenses que não viam chegar o grande dia, o dia da sagração e inauguração da Igreja Nova de S. José.

«A conclusão da Igreja Nova de S. José, esse majestoso monumento de Arte, foi uma realidade! Quem há 25 anos atrás contemplasse aquelas pedras musguentas, negras pela acção do tempo, cobertas de ervas e silvas, como que deitadas ao abandono, nunca diriam que aquele sumptuoso templo de pedras rendilhadas, iniciado há dezenas de anos, por bravos fafenses, que se levanta na Praça José Florêncio Soares, se concluiria algum dia!» Mas o dia chegou; 10 e 11 de Junho de 1961. Era pároco de Fafe Joaquim José Leite de Araújo, foi a ele que o “destino” quis entregar a responsabilidade de abrir as portas do novo templo. D. Domingos da Apresentação Fernandes, antigo pároco de Fafe, na qualidade de Bispo de Aveiro fez a sagração da igreja. A inauguração foi presidida por D. António Bento Martins Júnior, Arcebispo de Braga.

Milhares de fafenses e forasteiros assistiram às cerimónias naqueles dois dias de verdadeira festa religiosa que culminava um longo e atribulado ciclo.

A meio século da abertura ao culto da Igreja Nova deixamos aqui um pequeno apontamento de um episódio marcante na História Contemporânea de Fafe.


As comemorações de aniversários valem o que valem e talvez por isso poucos se lembraram do cinquentenário da Igreja Nova. Cento e dezasseis anos após o início de um projecto ambicioso, eventualmente megalómano, que marcou a vida religiosa de uma Vila sequiosa de progresso, aqui fica o registo para a posteridade.


Texto de Julho de 2011

IGREJA NOVA DEMOROU 66 ANOS A CONSTRUIR








A Igreja Nova de São José Demorou 66 Anos a Construir, Passando por muitos avanços e recuos, a construção da Igreja Nova de S. José teve inicio em finais do século XIX e foi Consagrada décadas depois, em 1961.

No último quartel do século XIX a Igreja Matriz de Fafe era o único templo existente na Vila de então. O seu reduzido tamanho já não comportava o número cada vez maior de fiéis que acorriam às cerimónias eclesiásticas, tornando-se necessária a construção de uma outra igreja, mais espaçosa, que acolhesse maior número de Fiéis.

Mais uma vez foi um «brasileiro» de torna viagem, o fafense Fortunato José de Oliveira, da Casa da Macieira, que em 25 de Fevereiro de 1895, legou a quantia de oito contos de réis para o arranque da nova igreja.

Foi então nomeada uma comissão de ilustres fafenses: José Leite Pinto de Saldanha, Dr. José Peixoto de Magalhães e Meneses, Comendador Albino de Oliveira Guimarães e José Florêncio Soares. Estes homens tiveram a incumbência de negociar com a Câmara Municipal a localização da nova igreja.

Pouco tempo depois, o terreno foi adquirido e Carlos Morais executou o primeiro projecto que arrancou sob a responsabilidade do empreiteiro bracarense, Francisco da Silva Moura. Pouco tempo depois o construtor abandonaria a obra, supostamente por falta de verba.

Em 29 de Outubro de 1901, foi colocada a soleira da porta principal, mas os trabalhos foram suspensos por várias vezes, nos anos seguintes, para desânimo das diversas comissões nomeadas para a conclusão do templo. A própria imprensa local, pela voz de Artur Pinto Bastos, fez vários apelos à população e principalmente aos que se encontravam do outro lado do Atlântico; “Nas obras já feitas estão gastos uns 24.000$000 de réis. Como se pode ver é um edifício de luxo onde sobressai a arte. E está parada por falta de recurso.



Fafenses que estais lá longe: - A vós vai um apelo, para num rasgo de patriotismo, angariardes dinheiro para a conclusão destas obras que as intempéries estão a destruir. Perder 24.000$000 de réis, oh! É pena!”, escreveu o jornalista no seu Almanaque de Fafe de 1910.


Apesar da propaganda e dos apelos, as obras da nova igreja só vieram a ter novo impulso em 1935. No ano seguinte, o conhecido arquitecto de origem suíça, Ernesto Korrodi, foi chamado a refazer o projecto inicial, aproveitando a construção já edificada.

Muito lentamente as obras lá foram prosseguindo com as dádivas dos fafenses, por via de sorteios e leilões.

Passaram, contudo, cerca de três décadas até ao momento tão desejado; a inauguração e sagração da Igreja Nova de São José, que ocorreu nos dias 10 e 11 de Junho de 1961.

Foi o jovem Pároco de Fafe, José Leite de Araújo, que teve a honra de acompanhar o então Bispo de Aveiro, D. Domingos da Apresentação Fernandes, na sagração do famigerado templo.

A meio século de distância da abertura ao culto da Igreja Nova, poucos saberiam que a sua construção foi iniciada há 119 anos.


Fica aqui mais um modesto apontamento para a memória colectiva dos fafenses; um breve relato que “bebeu” nas fontes de Miguel Monteiro, Artur Ferreira Coimbra, A. Lopes de Oliveira e Artur Pinto Bastos.

MONUMENTO AOS MORTOS DA GRANDE GUERRA


A ideia da construção de um Monumento aos Mortos da Grande Guerra (1914-1918) em Fafe foi lançada pela então designada Junta Patriótica do Norte no ano de 1919. Foi naquela altura que a Câmara Municipal de Fafe delegou numa comissão de fafenses ilustres o encargo de levarem por diante aquele empreendimento. Nomes como Parcídio de Matos, José Summavielle Soares, Florêncio Monteiro Vieira de Castro entre outros, encarregaram-se de fazer uma subscrição por todo o Concelho, que em abono da verdade não teve grande sucesso, acabando por ser a própria autarquia a suportar a quase totalidade dos custos.

O obelisco, com cerca de sete metros de altura, foi desenhado pelo arquitecto Manuel Maria Marques dos Reis em colaboração com o artista bracarense Zeferino Couto que executou o baixo-relevo escultórico e o arquitecto portuense Rogério dos Santos Azevedo.

“Diversos emblemas manuelinos ressaltam da pirâmide finalizando por um conjunto de granadas, depois sobressai o Padrão da Independência, que é formado por uma coluna granítica, monolítica e oitavada, inscrevendo-se no topo das faces uma data significativa, representativa de um século da nossa história, servindo-lhe de capitel um bloco guarnecido com o escudo das quinas, ornado superiormente por castelos”.

O acto inaugural deste monumento ocorreu em 12 de Julho de 1931 por ocasião das Festas do Concelho a Nossa Senhora de Antime. Estiveram presentes os Ministros do Interior e da Guerra, autoridades distritais e locais. Uma força de Caçadores 9 fez a guarda de honra e a Banda de Infantaria 8 animou o acto com outras cinco bandas civis. Calcula-se que à então Praça da Republica, hoje Praça 25 de Abril acorreram mais de vinte mil pessoas, oriundas do concelho de Fafe e de outras terras. Para o efeito foram disponibilizados comboios especiais para transportar os muitos forasteiros que naquele ano tiveram um interesse redobrado em visitar a Vila de Fafe.

Fontes: “Almanaque Ilustrado de Fafe” “Fafe e o Seu Concelho” por A. Lopes de Oliveira